Base do governo tenta barrar CPI da Lava Jato

A base do governo já está se movimentando para tentar impedir o andamento do pedido de CPI da Lava Jato, que foi protocolado na Câmara nessa quinta-feira (12) pela oposição. Para isso, os deputados aliados do presidente Jair Bolsonaro e do ministro Sergio Moro têm dito até que o objetivo desta Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), também chamada de CPI da Vaza Jato, é anular as condenações da Lava Jato.

“Não é uma CPI para, simplesmente, corroborar a narrativa do site do Verdevaldo. É uma CPI que buscará a anulação das condenações na Lava Jato”, escreveu o deputado Filipe Barros (PSL-PR) nas redes sociais, logo depois de pedir atenção do povo brasileiro para o fato de que a oposição protocolou um pedido de CPI para “investigar a Lava Jato e seus membros”.

O deputado Capitão Augusto (PP-SP), que é presidente da bancada da bala e relator do pacote anticrime de Moro na Câmara, também criticou a CPI e disse que toda a Frente Parlamentar da Segurança Pública, que conta com 299 deputados, é contra o pedido da oposição. “CPI contra o ministro Sergio Moro está para ser criada na Câmara! Vamos pedir para os deputados retirarem as assinaturas!”, escreveu nas redes sociais o Capitão Augusto, que chegou a chamar o pedido de CPI de “aberração”.

O requerimento protocolado por deputados da oposição, contudo, não fala em anular as medidas da Lava Jato. O documento solicita a instalação de uma CPI para apurar “supostas ações de irregularidade e de conduta extraprocessual” dos procuradores da Lava Jato e do então juiz Sergio Moro.

“A CPI da Lava Jato será um instrumento de justiça. A comissão vai investigar todas as possíveis irregularidades cometidas pelo ex-juiz Sergio Moro e pelos procuradores da força-tarefa da Lava Jato”, reforçou nesta sexta-feira (13) o deputado Henrique Fontana (PT-RS). “Essa CPI terá a enorme responsabilidade na apuração dos fatos e atuará com isenção durante os seus trabalhos”, acrescentou o deputado José Guimarães (PT-CE).

Autora do pedido, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), por sua vez, ainda não fez comentários sobre a CPI da Lava Jato. Ela também optou por não informar o número de deputados que assinou o pedido. A ideia é divulgar esse número só depois que a Mesa da Câmara validar o pedido.

Para ser apresentado, um pedido de CPI precisa do apoio de um terço da casa legislativa. Na Câmara, são necessárias, portanto, 171 assinaturas. Agora que foi protocolado, contudo, o pedido precisa ser validado pela Mesa e lido pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que ainda deve pedir para os líderes partidários indicarem membros para a CPI para que a comissão possa ser instalada.

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